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07/09 - Paraolimpíadas - Dia 1

Vamos começar por onde parei ontem, no final da tarde, quando toda delegação brasileira se reuniu, as cinco horas da tarde para pegar o ônibus em direção ao estádio olímpico para cerimônia de abertura dos Jogos Paraolímpicos. Nunca vi tanto ônibus junto, um atrás do outro em seis fileiras. Cada país teve seu ônibus especifico. Entramos animados e esperamos a hora de partir. Estava filmando tudo.

O trajeto até o estádio foi muito rápido, olhando pela janela muitas pessoas acenavam em nossa direção, voluntários, crianças, adultos. Gente do mundo todo. Ficamos do lado de fora do ninho de pássaro, aguardando em bancos a hora de entrar. Durante essa espera, foi servido um lanche que veio dentro de um saco, com pão, bolacha, chocolate, salgadinho, banana e leite. Tudo muito bem organizado, como tudo que tenho visto por aqui.

As oito horas se deu início a festa. Falei com minha mãe por telefone e ela já estava sentada na arquibancada com minha tia e meu irmão. A adrenalina já estava tomando conta do meu corpo.

As oito em ponto começou a cerimônia. Fogos de artifício deram início a tudo. Quando escutei e vi os fogos, me arrepiei todo, senti algo impossível de descrever, tudo de bom, me senti bem. Estávamos ainda do lado de fora. O Brasil estava marcado para ser o 28º país a entrar, quando deu oito e vinte a delegação começou a andar em direção ao túnel que da acesso a pista de atletismo. Ao entrarmos no túnel, ouvia-se todo mundo gritar o nome do Brasil, parecia torcida organizada. Já se via ao fundo parte das arquibancadas lotadas, a emoção já me tomava por completo, os olhos enchiam de lágrima, nada de melhor podia me acontecer naquele momento.

Quando pisei na pista, e pude reparar ao todo meu redor aquela imensidão, um formigueiro, fiquei extasiado, pulando e gritando que nem uma criança. Demos a volta quase completa pela pista, filmei tudo e tirei algumas fotos, não queria que aquele momento acabasse.

Nos encaminharam para a parte inferior das arquibancadas, um lugar bom de ver a festa, bem de perto. Ao chegar na cadeira, tinha uma sacola nos esperando com o programa da abertura e alguns brindes incluindo lanternas que nos proporcionaram interagir durante a festa. Nunca vi um espetáculo dessa magnitude, a abertura das Paraolimpíadas de Atenas não chegou nem aos pés dessa, muita tecnologia, apresentações fantásticas, muito bem ensaiadas, impressionante mesmo, milhares de atores, dançarinos, crianças fazendo coreografias muito bem sincronizadas. Os fogos, atores levitando sobre o estádio, presos em cordas. A arte visual estava muito bem elaborada.

Depois do juramento dos atletas e do astiamento da bandeira do Comitê Paraolímpico Internacional, entrou a tocha paraolímpica, que foi revezada por cinco atletas paraolímpicos da China. A penúltima foi entregue a uma atleta deficiente visual que foi guiada por seu cachorro guia. Foi muito lindo ver aquela cena, essa por sua vez, entregou a tocha ao último atleta. Ele recebeu a chama em uma cadeira de rodas, com um adaptador para portar a tocha. Através de seu esforço, com as duas mãos, ele começou a ganhar as alturas puxando uma corda que se posicionava na sua frente em direção a pira, uma técnica de alpinismo que o fez chegar com muito esforço até a parte mais alta do estádio, fazendo com que ele acendesse a pira. Foi incrível!!!! O estádio todo ficou de boca aberta aplaudindo sem parar.

Desse modo acabou aquele que foi sem dúvida um dos maiores espetáculos que já assisti até hoje.

Na saída do estádio dei uma entrevista junto com Mauro e André para a Tv Bandeirantes e voltamos para a vila no mesmo ônibus em que viemos, mas agora com todos os países misturados. Chegamos por volta das onze e meia e caminhamos ao refeitório. Comemos e fomos para a cama dormir.

Hoje acordei as nove e meia, quis descansar um pouco mais, devido a abertura de ontem. Alguns colegas meus já foram competir hoje. Pela manhã, aconteceu as eliminatórias e seis se classificaram para as finais.

Fui tomar café da manhã, levei as roupas para lavar e caminhei para internet para ler notícias e me distrair um pouco. Almocei e fui tirar uma sesta até a hora de sair para a competição, fazer meu penúltimo treino antes de minha prova, depois de amanhã.

Cheguei no Cubo às quatro, alonguei e cai para fazer um treino bem curto, com alguns educativos e um tiros de velocidade. Depois que acabei, fiquei para assistir as finais que começou as cinco da tarde daqui e seis da manhã ai no Brasil. Foi emocionante ver o Cubo completamente lotado, os brasileiros foram bem, mas só um conseguiu medalha. Como eu já previa, Daniel Dias, esse menino é endiabrado. Ganhou o ouro e abriu o quadro de medalhas do Brasil com um recorde mundial nos 100m livre. Vocês ainda vão escutar falar muito nele. Foi muito bom ouvir o Hino Nacional.

Voltamos a vila, jantei e vim novamente para internet escrever tudo que se passou da abertura até agora. Vou tirar aquela soneca agora, quero estar bem para terça. Até amanhã.

Um comentário:

Pedro disse...

Bora Collet , o Brasil a Bahia e o Procyon estão na sua torcida , boa sorte meu velho


Abração

Pedrão